Pólipos da vesícula biliar

Os pólipos de vesícula biliar são lesões que crescem na mucosa da parede do órgão. Eles são na maioria das vezes assintomáticos e encontrados geralmente incidentalmente em ultrassonografias de abdômen feitas de rotina. Ainda, os pólipos de vesícula biliar são encontrados algumas vezes pelo médico patologista durante o exame anatomopatológico após a cirurgia de retirada, ou colecistectomia. Esses pólipos podem ser lesões benignas ou malignas.

Dentre os pólipos benignos há: 1) os pólipos de colesterol, que são decorrentes de deposição de triglicérides e colesterol na parede da vesícula biliar. Geralmente são menores que 1 cm e múltiplos; 2) os pólipos inflamatórios, que são compostos de tecido de granulação; e, 3) a adenomiomatose, pólipos caracterizados por um crescimento anormal da mucosa da vesícula biliar juntamente com espessamento da parede muscular e formação de divertículos na mesma.

Embora os pólipos adenomatosos ou adenomas de vesícula sejam também benignos, essas lesões têm o potencial de se tornarem malignas. Pólipos adenomatosos maiores que 1 cm tem um risco de 35% a 55% de se tornarem malignos.

Em geral, os pólipos malignos da vesícula biliar são adenocarninomas. Os principais fatores de risco para malignidade em pólipos de vesícula biliar são: pólipos maiores que 1 cm, diagnóstico de colangite esclerosante primária e pólipos ou nódulos na vesícula biliar, pólipos sésseis e pacientes com idade maior que 50 anos.

Entre os possíveis diagnósticos diferenciais estão: colelitíase (pedra na vesícula) sintomática, colecistite, coledoclitíase ou colangite. A presença de sintomas aumenta a suspeita de diagnósticos diferenciais que podem estar associados.

O tratamento pode ser cirúrgico e deve ser definido preferencialmente por um cirurgião hepatobiliar. A decisão vai ser baseada nos sintomas do paciente, nas características do pólipo, progressão do mesmo e associação ou não com cálculos na vesícula. Quando indicado o tratamento cirúrgico, propõe-se inicialmente a colecistectomia (cirurgia de retirada da vesícula biliar). Pacientes assintomáticos que não apresentam fatores de risco para malignidade com um pólipo menor que 1 cm poderão ser acompanhados com ultrassonografias semestrais.

A decisão entre tratamento cirúrgico ou acompanhamento é de extrema importância, haja visto a possibilidade de evolução para câncer de vesícula. Esta última é uma doença grave, de prognóstico reservado e que pode apresentar complicações e evolução muito desfavoráveis.