Transplante de Fígado Intervivos

O transplante de fígado intervivo é realizado de maneira a substituir o fígado doente por apenas uma parte de um fígado de uma pessoa saudável. O doador pode ser um primo, cônjuge, irmão, conhecido, desde que o faça de maneira voluntária respeitando os critérios e limites judiciais.

Essa modalidade de transplante existe com o objetivo de diminuir as chances do paciente que precisa de um transplante falecer à espera de um órgão. Isso se aplica principalmente no caso de crianças, haja visto que doadores falecidos pediátricos são mais raros.

A parte restante do fígado do doador irá se regenerar e atingir a capacidade funcional similar a anterior em alguns meses após a cirurgia. Da mesma forma, a porção do fígado que foi transplantado também irá se hipertrofiar e reestabelecer a função hepática necessária para o receptor.

A avaliação para o transplante intervivos demanda a realização de vários exames em ambos receptor e doador. Objetiva-se com isso averiguar a compatibilidade entre estes (idade, grupo sanguíneo, peso e altura) e a viabilidade do procedimento (anatomia dos vasos e vias biliares do doador).

Contudo, esse é um procedimento cirúrgico complexo que envolve vários cirurgiões para que seja possível a realização de praticamente três cirurgias ao mesmo tempo — a de retirada de parte do fígado do doador (hepatectomia), o preparo deste órgão na mesa auxiliar (muitas vezes precisam ser feitas reconstruções extras de alguns vasos do enxerto para viabilizar seu uso no receptor) e a cirurgia no receptor — o transplante propriamente dito.

Os riscos e complicações para o receptor são semelhantes ao transplante de fígado com doador cadáver. Há, porém, riscos também ao doador, os mesmos de outra cirurgia de grande porte, que são: infecções (pneumonia, infecção de urina e ferida operatória) e, mais raramente, sangramento, fístula biliar e trombose de vasos profundos nas pernas ou pulmões. Apesar de mínima (entre 0,2% e 0,5%), existe ainda a chance de óbito do doador — minimizada em centros especializados e em equipes bem treinadas.

Outro fator importante a ser lembrado é que existe o risco de o enxerto doado não funcionar no receptor. Essa condição pode causar grandes prejuízos emocionais e psicológicos, por isso é de extrema importância considerar e discutir todos esses fatores com a equipe transplantadora antes de optar por essa modalidade de transplante.